Votorantim para fábrica e demite funcionários

Votorantim para fábrica e demite funcionários

Diante da queda dos preços do níquel no mercado internacional, reflexo de uma demanda fraca da indústria, a Votorantim Metais decidiu suspender em novembro a produção da unidade fabril que mantém em Fortaleza de Minas, no Sul de Minas Gerais, empregando 450 trabalhadores, parte deles moradores das vizinhas Itaú de Minas e Passos. Além do quadro próprio de pessoal, que corresponde a mais de 10% da população de 4.150 habitantes do município-sede da planta industrial, a paralisação deverá afetar empreiteiras e prestadores de serviços à companhia.

Representantes da empresa comunicaram na quinta-feira à Prefeitura de Fortaleza de Minas a interrupção temporária da produção e informaram que a VM vai contratar uma consultoria de recursos humanos para mapear oportunidades de recolocação de seus empregados. Ao mesmo tempo, estuda a possibilidade de transferência deles para outras empresas do grupo Votorantim. Pega de surpresa, a administração municipal já decretou imediata contenção de despesas, informou o secretário municipal da Fazenda, José Balduíno da Silva Júnior. “A prefeita (Neli Leão do Prado) convocou os secretários para uma reunião na semana que vem, quando vamos avaliar o impacto da decisão da Votorantim. Ainda não sabemos toda a extensão do problema”, afirmou.

Maior empregadora da cidade, a fábrica é a principal responsável pelo repasse de receita aos cofres municipais: soma R$ 100 mil por mês, incluindo os royalties da atividade – a Contribuição Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) – e o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). São poucas as fontes de sustentação da economia local, tendo e vista que a Prefeitura de Fortaleza de Minas gera outros 280 postos de trabalho e parcela importante das famílias vive da agricultura. A fábrica do grupo Votorantim produz 13 mil toneladas de matte de níquel por ano, produto obtido a partir do concentrado de níquel, metal usado na fabricação de aços inoxidáveis e ligas.

Em nota, a companhia justifica a interrupção das atividades “em função do expressivo desequilíbrio entre a oferta e a demanda global, que resultou em uma significativa queda nos preços dos metais e no desequilíbrio econômico-financeiro da unidade”. Com base nas cotações do níquel negociado na bolsa de metais de Londres (LME), houve uma redução da ordem de 50% do preço médio do metal entre fevereiro de 2007, período pré-crise financeira mundial em que a tonelada valia US$ 27,7 mil, e a média deste mês, de US$ 13,7 mil. 

O cenário para os preços do níquel piorou com a turbulência financeira dos Estados Unidos e da Europa e a queda do ritmo de crescimento econômico da China, locomotiva mundial do consumo de minerais e metais, observa Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora. A dobradinha indigesta de preços baixos e custos de produção altos afeta também produtos como minério de ferro, cobre e zinco. “Se a China coloca os pés no freio, é sinal de problema no mercado internacional. É possível que os preços só apresentem reação no ano que vem, dependendo do nível de melhora que a economia americana e a europeia apresentarem”, avalia. 

Ainda na nota distribuída à imprensa, a Votorantim Metais informou que vai manter programas sociais apoiados pela unidade Fortaleza de Minas: De olho no futuro, Apoio à gestão pública, PAIS, Parceria Votorantim pela educação, Mulheres empreendedoras e Escola para pais e filhos do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA).

Fonte: Estado de Minas

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